Não se trata de transmissão mecânica de conteúdos, mas de criação deliberada de condições favoráveis à apreensão intelectual e moral da verdade. O aprendizado ocorre a partir da provocação do intelecto e do fortalecimento da vontade, num ambiente de amizade intelectual, diálogo honesto e acompanhamento respeitoso.
O tutor não ocupa posição de superioridade: é um mediador do processo reflexivo, um companheiro de jornada. O horizonte metodológico é a maiêutica, a contemplação da realidade e o reconhecimento da singularidade de cada participante — preservando sua liberdade, responsabilidade e ritmo próprio de amadurecimento.
“Aprender não é encher um recipiente, mas acender uma chama.” — máxima da tradição filosófica clássica
O horizonte é a maiêutica socrática: ninguém “derrama” a verdade no outro; o que se faz é dispor a pessoa para que ela própria realize o ato de compreender. O Trilhar propõe-se a criar as condições para esse entendimento — o contato honesto com a realidade — ajudando cada um a desvencilhar-se do que o impede de enxergá-la: o autoengano, a preguiça, a ignorância irrefletida, más influências e distorções.
O projeto é aconfessional: não parte de nenhuma confissão religiosa nem exige qualquer crença. Seu ponto de encontro é a busca honesta pela verdade — aberto a todos, inclusive a quem tem reservas em relação à religião.
“O amigo é um outro eu.” — Aristóteles, Ética a Nicômaco, IX, 9
“A amizade não pode existir senão entre os bons.” — Cícero, De Amicitia, 6
Não há amizade sem identificação — sem reconhecer algo de si mesmo no outro. O Trilhar não nasce de uma pretensão de superioridade, mas da necessidade intrínseca de tornar-se melhor, compartilhando a experiência da descoberta com aqueles que, movidos pela mesma sede, buscam o mesmo horizonte.
Com vistas à previsibilidade e à qualidade formativa, cada módulo segue um modelo-padrão:
São, portanto, quatro encontros por módulo — doze ao longo do semestre.
Os tutores (ou preceptores) são mediadores do processo formativo e guardiões do método. Sua função central é provocar a reflexão, sustentar o método e garantir um ambiente seguro de diálogo. O tutor não é terapeuta, psicólogo, diretor espiritual formal, conselheiro clínico ou autoridade moral superior — é facilitador da reflexão, guardião do método, moderador do diálogo e referência de postura ética e coerência.
Princípios permanentes de atuação: respeito absoluto à liberdade do participante, não imposição de conclusões pessoais, escuta ativa e não julgadora, clareza de limites e fidelidade ao método.
O acompanhamento do participante possui caráter exclusivamente formativo, não classificatório. Ao final do percurso, há um instrumento de autoavaliação — um exercício pessoal, livre e responsável, sem respostas certas ou erradas.